quinta-feira, 5 de março de 2015

HOJE É DIA DE DEPOIMENTO - CAROLA BERNOH









Oi...

Meu nome e Carola Bernoh , sou fotografa, tenho 34 anos, e 34 anos de sobrepeso, de luta pra emagrecer tentando alcançar um peso que nunca conseguia manter...

Há 10 anos defendo a beleza e a sensualidade da mulher na fotografia, dizendo que cada mulher precisa se amar como ela é, e eu me dei conta que eu não me amava, não mais...

Histórico clínico - um bebe gordo, sobrepeso na infância, adolescência e fase adulta. Com episódio de muitos remédios para emagrecer, colocação de balão gástrico (o qual considero um grande engano). Sempre lutei, para chegar ao sonhado peso ideal, que mudava conforme a época, cheguei a pesar 54 kg por uns 3 meses. Cada dia se passava, e o peso aumentava, a roupa se ajustava, e eu outra vez chorava sozinha escutando das pessoas que eu era assim porque eu simplesmente queria.

Mas quem desejaria ser o monstro que eu via no espelho... Não podia ser por querer, deveria ter algo errado comigo, tentei tanto, tentei de tudo como dietas, remédios, chás, academias, vários tipos de exercícios físicos (natação, balé, hidroginástica, dança do ventre, vôlei, basquete, capoeira, jump, e todos os tipos de aeróbicos (para não pensarem que não tentei)), mas sempre que pesava depois de tanto esforço, me fazia desistir, pois ser tão pouco o que eu perdia que levaria tantos meses pra perder, o objetivo se distanciava novamente, desistia de tudo, e abandonava no meio do caminho, e chorava me sentia fracassada de novo e perdia a luta para comida uma e outra vez.

Perder para comida dói, machuca te faz sentir a pior pessoa e os amigos dizem “FECHA A BOCA”, você consegue, algumas vezes escutei seu rosto é lindo, porque não emagrece (eu gritava por dentro, pois se fosse tão simples para mim estaria magra não é mesmo). Junto com a dieta vai embora à autoestima que já é mínima nesse estágio.


PROCUREI ENTÃO MÉDICOS QUE PODERIAM ME OPERAR. UMA VEZ MAIS ESTAVA SOLITÁRIA.

Alguns amigos diziam que eu morreria, que eu deveria tentar outra coisa, ou que eu estaria me precipitando que eu poderia morrer, e desconhecidos esses são os piores, que dão palpites sem te conhecer citando exemplos de vários que morreram na mesa de cirurgia... Ou que vários obesos tiveram sucesso apenas com dieta e caminhada (nunca conheci nenhum mas dizem que tem vários), “A MÃE GRITANDO AO TELEFONE QUE JAMAIS APOIARIA TAL LOUCURA...” (hoje entendo que ela tinha medo, mas foi doloroso a falta de apoio naquele momento).


PASSEI POR 3 MÉDICOS, ATÉ ENCONTRAR O DR. CESAR CONTI QUANDO ENTREI EM SEU CONSULTÓRIO  APENAS CHORAVA, NÃO CONSEGUIA FALAR, E QUANDO FINALMENTE CONSEGUI DISSE, ME AJUDE NÃO VEJO MAIS SAÍDA, NÃO VEJO MAIS SOLUÇÃO PARA MIM SE O SENHOR NÃO ME AJUDAR NÃO SEI O QUE FAREI CREIO QUE VOU ME SUICIDAR PORQUE DÓI DEMAIS SER ASSIM .


Ele foi o único que disse, calma que o leão é manso, e não vou abandonar seu caso. Sai com uma esperança a tempos perdida, a esperança de novamente ser feliz com meu corpo e meu peso.

Foram meses de exames, consultas, terapia, e contando apenas com uma amiga (já operada e por isso me entendia tanto), o apoio familiar veio bem mais tarde.

O tempo passava e nada de operar, e veio o ano novo, fui passear em uma cidade da região, alugamos uma casa na beira de um rio, o qual tinha um tablado. A madeira cedeu enquanto eu estava parada em cima, conversando com os amigos, e quebrou engolindo assim minha perna que por sorte ficaram apenas grandes hematomas, o dono de propriedade ao ver o tablado me disse “você quebrou isso porque você é obesa”, "porque construí isso pra aguentar ate 100 kg, qual o seu peso minha filha?". Não respondi, não sei por que fiquei calada, se foi por tristeza, vergonha, apenas engoli o choro... Arrumei as malas e voltei para casa ali acabou minhas férias de fim de ano, então eu decidi que iria operar de qualquer jeito com autorização do plano ou não. Pois ninguém merecia passar por aquilo, eu não merecia passar por aquilo, tinha chegado ao meu limite, sempre fui risonha, sociável, vaidosa, alegre, bonachona, mas não era mais. Não saia mais como antes, não usava as roupas que queria apenas as que serviam, sempre de preto pra disfarçar o impossível, com raiva de si e do mundo pro estar assim, evitando espelhos, festas, bares, amigos, por vergonha de estar assim, não era mais a gordinha de bem consigo mesma, era obesa, com obesidade nível 2 quase 3.

Quase 5 meses depois de conhecer  equipe do Dr.  Cesar e Dra Mariana (a melhor nutricionista do mundo), minha cirurgia esta marcada. E quando olho pra data vejo que não e uma cirurgia e um renascimento... “SINTO QUE ALI VOU RENASCER E REENCONTRAR A CAROLA QUE SEMPRE FUI.”

Aos amigos e familiares de outras pessoas com obesidade, por favor, escutem o que ela precisa dizer, entendam que ninguém e assim ou esta assim porque quer... Não fazemos de propósito, gostaríamos de termos sido agraciados com uma genética igual a sua... Entendam OBESIDADE É DOENÇA. E quando buscamos pela cirurgia geralmente e porque já tentamos todas as opções existentes, não escolhemos o caminho mais fácil, mas e o único que nos darão o apoio  necessário para manter uma dieta pro resto da vida .

Minha cirurgia esta agendada pra daqui a 18 dias, contagem regressiva, e somente o fato de saber q toda minha vida mudara para melhor... Sinto uma felicidade imensa...

Torçam por mim!



Carola Bernoh